quarta-feira, março 14, 2012

Poupar, organizar e outras cenas da gestão doméstica!

Falar da crise, virou moda! ?

Tinha cá  um bichinho a roer-me por dentro e pensei já muitas vezes em escrever este post. Se por um lado tinha receio de ferir algumas susceptibilidades por outro não queria que fosse mais um post "igual" tematicamente falando a tantos outros que povoam por aí pela web, ou em cada página de jornal, revista que abrimos e até mesmo na TV.
Imagem retirada da net

No meio de tudo isto, é só lamentavel que tenhamos de chegar ao estado em que o país está para despoletar na maioria das pessoas uma onda de organização e poupança dos bens essenciais aos mais supérfluos.
Fui educada a poupar e especialmente a não estragar! Por isso sempre tentei reger a minha vida doméstica com os valores que foram transmitidos pelos meus pais.
Contudo, quiçá isto não leve a refletir a todos um pouco melhor e provoque uma nova revolução na tábua de valores que queremos transmitir à gerações futuras.

Por isso cá seguem algumas indicações da gestão doméstica cá de casa:
 
Compras:
Antes de fazer compras, a meu ver há dois itens a ter em conta: comprar apenas o essencial e aproveitar as promoções (com moderação).
Nas minhas compras utilizo sempre uma lista de compras, que permite-me organizar melhor aquilo que vai faltando cá por casa. Normalmente, anotava num papel que fixava na porta do frigorífico, e que depois levava comigo e ia riscando o que faltava. Recentemente criei a minha lista de compras num documento word, plastifiquei-a e escrevo nela com uma caneta de acetato. Assim poupo tempo, e papel, pois posso sempre reutilizá-la, basta para isso limpá-la com um pouco de alcool.
Fico sempre atenta aos vales de desconto que vou pedindo pela net e outros que surgem por indicação nas próprias embalagens de produtos (procurem na net, pois há imensos sites já a dar indicações para isso mesmo!). Costumo sempre pedir amostras dos produtos aos fabricantes, assim antes de comprar o produto posso sempre testá-lo a fim de saber se é do meu agrado ou não.
Quando são produtos que uso bastante e que têm um prazo de validade bastante alargado eu compro sempre a mais e faço um pequeno stock cá em casa. São exemplo disso, neste momento, o detergente para a máquina de lavar roupa, e louça, toalhitas de bebé e o azeite.

Gestão de gastos

Tenho por hábito anotar todos os gastos feitos mensalmente num ficheiro excel. Assim consigo saber exatamente aonde é que foi gasto mais dinheiro e se houve algum deslize mais excêntrico e em quê. E claro se num determinado mês houve algum gasto mais exagerado, no mês seguinte há que tentar cortar em alguns gastos para conseguir poupar mais algum.

Preparação de refeições

No momento da preparação das refeições, tento sempre ter em conta as quantidades e se porventura há alguma sobra, essa é guardada no frigorífico ou congelada e normalmente é reaproveitada para fazer um outro prato. Todas as sobras de cascas de legumes e de restos de comidas são guardadas e são levados para casa dos meus pais para contribuir para a alimentação dos animais que criam por lá, galinhas e coelhos e em outro tempos já tiveram patos também.
Quando tenho um "excesso" de algum alimento  porque comprei a mais em promoção, porque me deram tento sempre aproveitá-lo ao seu expoente máximo. Por exemplo a salsa, costumo ter alguma guardada dentro de um saco fechado a restante lavo-a muito bem e depois pico-a e congelo-a. Assim há sempre salsa picada para utilizar em qualquer prato. Se há determinados legumes a mais, preparo-os para serem congelados, para posteriormente serem confecionados.
Se há sobras de pão podem ser usadas para fazer pão ralado ao qual podem adicionar também ervas aromáticas.
Os iogurtes, o pão, bolos e bolachas costumam ser preparados cá em casa, além de serem ao nosso gosto pessoal, sempre ficam mais saudáveis e económicos!

Organização das tarefas domésticas e outras

Após a maternidade a organização das tarefas domésticas levou uma grande volta. No início foi complicado conseguir conciliar tudo sozinha. Consegui nomeadamente alguma ajuda com a criação de uma lista to do. Ao início de cada semana numa agenda que me foi oferecida faço uma lista de tarefas que me proponho a desenvolver ao longo dessa semana. Por cada tarefa realizada eu vou riscando e as que não foram realizadas passam para a semana seguinte e por aí adiante. Tenho constatado que a maioria das tarefas acabam mesmo por ser realizadas, mesmo aquelas menos agradáveis, pois sabe tão bem iniciar a semana com uma lista to do completamente em branco sem assuntos pendentes. Experimentem!


A temática da gestão doméstica é muito vasta, por isso para não vos aborrecer muito mais com um post demasiado longo, outras dicas ficarão para um segundo post.
Se houver aqui alguém interessado nos documentos que aqui falei, lista de compras, ficheiro de excel para gestão de orçamento, podem solicitá-los aqui na caixa de comentários e não se esquecem de  deixar o vosso email que depois eu vos farei chegar a documentação.
Sintam-se convidados a deixarem as vossas dicas também!



12 comentários:

Matilde Valente disse...

Confesso que vim parar a este blog, por acaso. Gostei do nome "Retalhos da Memória" e resolvi "entrar". Lamentavelmente, o primeiro texto que encontrei é, na minha opinião, um chorrilho de lugares comuns de "fada do lar" presunçosa que, julgando dominar a arte de poupar, dá meia dúzia de conselhos bacocos para atenuar a crise. Minha cara, sou assistente social e garanto-lhe que a verdadeira crise está na, parcial ou total, falta de rendimentos de alguns (muitos!) agregados familiares. Todos os dias ouço pedidos de ajuda de mães chorosas que, querendo comprar leite e pão para os filhos, encontram os bolsos vazios e desesperam, esquecendo-se da própria fome. Sendo mãe, acredito que consiga perceber a dimensão desta dor. Isto sim é a verdadeira crise, o resto são pequenas / médias dificuldades que, cada um de nós, com os seus "truques" e dicas de poupança, vamos resolvendo. Nesse aspecto, concedo que tem razão, temos de recuperar velhos hábitos de poupança e aprender a gerir as despesas com sensatez, mas isso não é CRISE, está longe de o ser. Portanto, por favor, tenha consciência e respeito pelas dificuldades reais, dolorosas, de muitas famílias. Neste momento, há muitas mães que não dormem, consumidas pela preocupação, porque não haverá leite, pão, fruta no pequeno almoço dos seus filhos. E isso, minha cara, infelizmente, não se resolve com as suas "listinhas" plastificadas. Se quer brincar às casinhas e às fadas do lar, é um direito que lhe assiste, mas peço-lhe que pondere a ligeireza das suas palavras.Haja lucidez e respeito!

Sandra de Sá disse...

Bom dia Matilde! Ainda bem que resolveu entrar para conhecer o meu blog. Lamentavelmente não tenho obrigação de ter a mesma opinião que a sua, ou até mesmo de a aceitar como a expôs aqui. Em primeiro lugar não gostei do modo como se referiu à minha pessoa “fada do lar presunçosa”, não me conhecendo de lado nenhum. As dicas que dei correspondem a situações que pratico cá por casa e isso está bem explicito. Não sou, nem tenho a mania de que sou a melhor, escrevo o que sinto e sobre a temática que me apetecer. Só porque é assistente social e se vai deparando com situações complicadas isto não faz de si a salvadora do mundo, pois grande parte das assistentes sociais são aquelas que ajudaram a dar de mão beijada muitos rendimentos de inserção social que andam por aí, e quando chegam ao terreno a situações complicadas fogem de rabinho entre as pernas, fingindo que não é nada com elas (contudo não estou a dizer que é o seu caso!). Diariamente eu trabalho numa escola em que 95% dos alunos são todos provenientes de famílias monoparentais, ou que se dizem de famílias monoparentais, quando não o são e todos usufruem dos rendimentos sociais de inserção. Há visitas diárias de assistentes sociais à escola para acompanhar alguns alunos cujos casos são mais problemáticos. Chegam-nos de falinhas mansas, com mil e um papéis para serem preenchidos e à espera que se faça alguma denúncia, porque as próprias não têm “tomates” para o fazerem. Na verdade o que se passa é que muitos desses rendimentos são gastos em coisas indevidas pelos progenitores das crianças, já que passam o dia inteiro sentados na esplanada do café. Há de facto crianças que saem sem o pequeno-almoço para a escola e nem sequer trazem lanche e que a única refeição de jeito que fazem é na escola, e mesmo assim quando querem comer! Muitas das vezes já lhes tenho “matado a fome” com coisas muito simples como pão e fruta, porque de bolos com cremes e bolachas recheadas andam eles enjoados. E quando lhes digo para trazerem lanches saudáveis, dizem-me que para os pais é mais pratico comprar aquilo do que fazer um simples pão… São coisas que dão trabalho e a maioria não tem tempo!!! Mas, não temos culpa que os progenitores não saibam gerir o seu orçamento familiar, em vez disso as assistentes sociais virtuosas continuam a passar-lhes as mãos pela cabeça e a ajudar a uma e outra vez e mais outra a ter os subsídios necessários... Enquanto esta fada do lar presunçosa rala o seu ganha pão honestamente! Convido-a minha cara, para um dia vir comigo ao terreno e ver também outras realidades, e talvez aí podemos brincar as duas eu de fada de lar presunçosa e a minha cara de assistente social lucida e respeitosa!! Porque presunção e água benta cada um tome a que quer!

Anónimo disse...

Caríssima Matilde,

É com algum pesar que concluo a leitura do seu comentário. Pela sua interpretação podemos entender que a crise se resolve com rendimentos, e que bastam rendimentos para as pessoas saírem da crise. Na minha opinião este fundamento está redondamente errado. Creio que se muitas das famílias pensassem na economia doméstica mais cedo e tivessem aplicado a mesma, possivelmente estariam numa situação completamente diferente.
Uma grande parte das famílias a que se refere nos seus exemplos chegaram às situações dramáticas em que se encontram através da má gestão e da falta de sensibilidade nas despesas. Para a maioria dos portugueses, as noções de curto, médio e longo prazo são de total desconhecimento. Provavelmente, antes da falta de dinheiro para o leite houve umas moedinhas deixadas no balcão de um tasco para 1 ou mais copos de maduro tinto, e não me diga que isto não acontece porque acontece (MUITO!)
Felizmente, e pela boa sorte confesso que nunca passei por dificuldades como aquelas que descreve mas também assumo que a educação familiar de que fui alvo incluia o maior respeito pela comida, pelas despesas e pelo respeito pelos outros familiares. Reconheço que estes valores familiares em que fui educado fizeram de mim uma pessoa diferente com um nivel de respeito superior.
Acredito que na sua posição profissional seja confrontada com casos gritantes e de desespero, mas isso não lhe dá o direito de aplicar os termos que aplicou em relação à autora do blog, termos esses que ultrapassaram a fronteira da boa para a má educação. Até podemos dizer que o mundo é injusto e até aceito que sinta que a palavra crise é uma palavra forte. A verdade é que a sua interpretação de crise não é única. Na China a palavra Crise é interpretada de forma positiva e numa óptica de oportunidade.
Em momento ALGUM a autora do blog desrespeitou alguém e mais, ainda partilhou na internet os seus conhecimentos, contribuindo para o bem da sociedade em geral. Este acto é completamente diferente, e bastante mais nobre que o simples acto de criticar a forma ou palavras utilizadas na exposição de ideias. Esta sua "critica" é uma clara injustiça, apimentada com falta de respeito e educação. No seu lugar e se a sua consciência incluir algum tipo de valor, aconselhava-a a pedir desculpas pelo seu texto, que em algumas passagens é ofensivo.
Retornando ao caso da falta de fundos ou rendimentos, aconselho-a a recordar-se do celebre ditado oriental "Não lhes dês peixe, ensina-os a pescar" para que no seu trabalho oriente as pessoas para um caminho de auto-transformação e não para subsidio-dependentes.
Para concluir recordo que o trabalho da autora é um trabalho nobre, de partilha para uma comunidade que a mesma executa em part-time e sem objectivos lucrativos, sem qualquer relação com a sua actividade laboral. é um trabalho CONSTRUTIVO e sinceramente, as suas palavras apontavam no sentido contrário. Por favor reconsidere as suas opiniões e aproveite a sua posição para construir um mundo melhor em vez de eliminar as ideias dos outros só porque acha que uma palavra foi mal aplicada.

Rainmaker

Anónimo disse...

Minha Cara assistente social, a sua postura em relação às pessoas que "efectivamente" ensinam os valores essenciais ao alunos por verdadeira vocação é deprimente e demonstra a realidade das assistentes sociais pagas por todos os contribuintes!

Anónimo disse...

Gostei da potagem porque é preciso registar e analisar as poupanças

http://bestaccessexpert.blogspot.pt/2012/03/exemplo-acompanhamento-de-vencimentos.html

Rute disse...

Ola Sandra. Encontrei os eu blog, por mero acaso e como sou curiosa resolvi meter o nariz. Sem a conhecer, fique a admirar pela belissima resposta que deu á nossa carissima A.S.. Também tabalhei numa escola e vi muita coisa que me deu nojo. Sim porque enquanto eu trabalhava 7h por dia com crianças vindas dessas familias carenciadas as falilias destas crianças que se sustentam com aquilo que nos descontam dos nossos ordenados andavam a fazer uma vida que nem eu nem o meu marido somos capazes de fazer trabalhando os dois. Familias essas que para além de receber o RSI ainda recebiam um avio e (para mim é nojento o que vou dizer mas é a mais pura das verdades e muita gente sabe) o leite dava-se ao vizinho para este dar aos gatos porque não gostam, o arroz davam á vizinha para esta alimentar os pintos, porque não gostavam do queijo davam-no ao cão e por ai fora.Os lanches dessas crianças são super económicas, bolicaos com icetea, ou bolos com pacotes de leite mimosa... Cá em casa o meu piolho leva para a escola meio paposseco com manteiga/queijo/fiambre e uma garrafa de iogurte que aproveitei para todos os dias levar ou leite ou sumo. Sim porque os pacotes grandes são mais económicos dos que os individuais e são de marca branca.
Resumindo, agora estou desempregada e após 3 anos a descontar tiver direito a 300 e poucos euros de desemprego por 360 dias!!!!! O meu filho não tem direito a abonos, o meu marido levou uma ripada no ordenado de quase 200€, mas a renda da casa é do mesmo valor, a prestação do carro é do mesmo valor, a comida está cada vez mais cara, a roupa das crianças nem se fala... Sempre fui muito poupada e é graças a isso que nos estamos ainda a aguentar. É também graças a pessoas como a Sandra que vou descobrindo novas maneiras para poupar mais um pouquinho. Sim porque não tenho ajuda de lado nenhum. A minha sorte é que tenho um pequeno hortejo de onde tiro os legumes da época, onde crio umas galinhas, um porquito. Porque se não fosse assim chegava a meio do mês e não tinha dinheiro para mandar cantar um cego.
Comentários como o da nossa A.S. para mim são desnecessários. Mas felizmente que nem todos gostamos da mesma cor senão seria um caos.
Usando uma frase da nossa A.S. Haja lucidez e respeito. Mas acrescento, por quem é honesto e trabalhador.

Joana Gonçalves disse...

Olá Sandra,

ao pesquisar um ficheiro em excel para registar as poupanças deparei-me com o seu blog. Será que me pode enviar por email o seu ficheiro para meu uso pessoal? Agradeço-lhe imenso pela ajuda e dedicação que tem ao blog é pena é que algumas pessoas não percebam a utilidade, mas daí a fazer comentários descabidos e presunçosos já é demais.
Srª Assistente social, se não gostou, dê meia volta e não leia. é simples e não ofende ninguém. Que tal!

Obrigada Sandra

Joana G. joanagf@gmail.com

Anónimo disse...

Ola Sandra, gostei imenso do seu blog, ideias da quais ja constam na minha agenda para po-las em pratica, Sao estas iniciativas construtivas de que mais precisamos. valeu

Lourdes

Augusta Malite disse...

Ola Sandra!

Gostei imenso do seu comentário e confesso que se alguém cá chegou é porque esta preocupada com gastos desnecessários.

Parabens

Sandra de Sá disse...

Obrigada Augusta. Acho que qualquer dica para ajudar é sempre bem recebida, ou pelo menos deveria de ser.

Anónimo disse...

Por favor, podia enviar me a tabela para aida.sofiars@hotmail.com obrigada

Sandra de Sá disse...

Olá Aida, estou a reformular a tabela assim que estiver pronta reenvio-a. Obrigada